6.12.12

Cheia de manha

Mais uma manhã ela viu tudo se repetir: nenhum café na cama ou recadinho no espelho, ninguém esparramado no sofá da sala do jeito que ela mesma se reprimia por fazer, nada de nada. Tudo que ela tinha era a certeza que ninguém ia deixar cabelos pregados no sabonete ou o ralo do banheiro aberto. Ao sair da porta de casa, se viu entrando em um carro que esperava por ela na porta, mas ao abrir os olhos só enxergou o dinheiro da passagem. Até quando ela teria de se virar sozinha? Será que, quando ela tivesse filhos, não poderia falar "agora é a sua vez"? Talvez nem fosse chegar a ter filhos. Não queria continuar assim. Não podia. E sempre que pensava sobre isso tirava o telefone do gancho e encarava os números que todas as suas células ansiavam por tocar. Sua respiração não parava. Seu estômago enchia-se de nós. Mas o melhor a fazer era esquecer a crise de meia-idade e não fazer nenhuma besteira. Ia dormir.

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Obrigada, gafanhoto :3